Publicações
Leituras da MB.
Ideias que ajudam a compreender melhor as organizações e comportamento das pessoas.
Tema 01
Cultura
Comportamentos, normas, aprendizado e decisões que, repetidos no dia a dia, passam a definir como uma organização funciona.
Valores e prática
Cultura se aprende no que se repete.
Cultura não é o valor declarado. Ela aparece em normas compartilhadas, em práticas formais e informais, nas histórias que a empresa conta sobre si, nos rituais, nas decisões, no comportamento cotidiano. Inclusive quando ninguém está observando.
Por isso valores declarados e valores praticados podem divergir sem que ninguém perceba de imediato. O que é aprendido e repetido tende a pesar mais do que o que está escrito.
- Edgar H. Schein, 1990 · “Organizational Culture”, American Psychologist, 45(2), 109–119.
- Joanne Martin, 2004 · “Organizational Culture”, Stanford GSB Working Paper.
- Jennifer A. Chatman & Charles A. O’Reilly, 2016 · “Paradigm Lost: Reinvigorating the Study of Organizational Culture”, Research in Organizational Behavior, 36, 199–224.
Espaço para questionar
Questionar também é parte do trabalho.
Amy Edmondson descreve segurança psicológica como uma crença compartilhada de que o time é um lugar seguro para assumir riscos entre pessoas: perguntar, admitir dúvida, expor um erro, contestar uma premissa.
Seu estudo relaciona essa crença a comportamentos de aprendizagem em equipes — o que faz da abertura para questionar uma condição de trabalho, não um traço de personalidade.
Aprendizado
Corrigir o erro não é o mesmo que aprender.
Chris Argyris distingue duas coisas: corrigir um desvio mantendo regras, políticas e objetivos intactos, e um aprendizado que também põe em questão essas regras e os objetivos por trás delas.
É por isso que registrar falhas, sozinho, não muda muita coisa. Se a lógica que produziu o problema nunca é revisada, o mesmo problema volta com outra roupa.
- Chris Argyris, 1977 · “Double Loop Learning in Organizations”, Harvard Business Review, setembro.
Compreensão antes da decisão
Antes de decidir, é preciso entender o que está acontecendo.
Karl Weick trata as organizações como ambientes ambíguos, em que as pessoas estão constantemente construindo uma leitura do que está acontecendo — antes de agir e enquanto agem.
Decidir, nesse sentido, começa antes da decisão: no trabalho de formar uma interpretação do contexto que seja boa o bastante para sustentar a próxima escolha.
- Karl E. Weick, 1995 · “Sensemaking in Organizations”, SAGE.